o fim do TV Time e a necessidade de ter um local próprio com nossas memórias
Passei um tempo sem acompanhar os links compartilhados no grupo do EntreBlogs. Resolvi dar uma desacelerada e passear por outros jardins da internet e scabei chegando a um texto do Pedro sobre o encerramento do TV Time.
Fiquei pensando em quantos pequenos lugares da internet simplesmente desaparecem e em como depositamos neles tempo, expectativa e memória. Só para ter uma ideia, existe até um cemitério dos serviços do Google.
O TV Time nunca foi exatamente uma rede social, e talvez esse fosse justamente o seu charme, fazia muito bem uma única coisa (não exigia horas de permanência e também não tentava capturar minha atenção), registrava o que assistia, consultava meu histórico e ia embora. A única notificação era um aviso quando um episódio novo era lançado, era simples e me bastava.
O texto do Pedro me lembrou que a internet de hoje parece ter esquecido esse tipo de simplicidade. Tudo precisa virar rede social, tipo o YouTube agora liberou mensagens diretas. Tudo precisa de algoritmo, vídeos curtos, comentários, engajamento e tempo de tela. No meio desse caminho, vamos entregando nossos registros para plataformas que não controlamos, e um dia elas mudam de direção e no outro, deixam de existir.
Nos últimos anos percebi que, aos poucos, fui fazendo o movimento contrário. Grande parte do que quero guardar já está no meu próprio site: livros, filmes, projetos, textos, fotografias e tantas outras coisas.
Não quero abandonar as redes sociais. Meu site não tem a força, nem o propósito de uma delas. Continuo usando esses espaços porque eles aproximam pessoas e facilitam encontros. Desde a pandemia, trabalhando em home office, percebi que eles também diminuem um pouco a sensação de isolamento.
Na minha profissão é praticamente impossível ignorar plataformas como Behance, Medium ou LinkedIn. Elas concentram pessoas, oportunidades e conversas que fazem muita diferença na vida profissional. Mesmo assim, me sinto menos desinteressado nelas.
Ao mesmo tempo, a internet mudou de um jeito que ainda estou tentando entender. Nossas fotos, textos e vídeos passaram a alimentar modelos de inteligência artificial. Talvez isso traga benefícios, mas também abre espaço para problemas que ainda estamos começando a enxergar.
Ainda é cedo para entender todas as consequências, mas a sensação de que estamos construindo em terreno emprestado nunca foi tão forte.
Quando o TV Time sair do ar, não pretendo procurar outro serviço para substituí-lo. Vou fazer o que já venho tentando fazer há algum tempo: registrar tudo aqui e tlvez até use alguma IA para automatizar parte desse processo e facilitar a atualização dos conteúdos.
É verdade que essas plataformas tornam muito mais fácil registrar e compartilhar o que fazemos, mas, diante de tantos encerramentos de serviços e mudanças de rumo, manter um site pessoal talvez seja hoje uma forma de preservar a própria história.
Não porque ele seja melhor do que as plataformas, mas porque ele continua sendo meu.
Em memória ao TV Time, algumas estatísticas:
- Tempo assistindo séries: 7 meses, 28 dias e 1 hora
- Episódios assistidos: 5.281
- Tempo assistindo filmes: 7 dias e 13 horas
- Filmes assistidos: 99
Esses números provavelmente vão se perder. Talvez exista alguma API de outro serviço para que eu continue registrando esses números, mas, se não existir, eles desaparecem junto com o serviço e talvez esse seja justamente o ponto deste texto.
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