Banca de revista
Imagem criada pelo GPT após uma descrição detalhada da banca de jornal do bairro que morei toda a minha infância

Quando eu crescer, quero ter uma banca de revistas

Quando eu era criança, meu sonho era ser dono de uma banca de revistas, dessas cheias de gibis, jornais e revistas penduradas por todos os lados. Eu queria ter tudo aquilo à minha disposição, passar o dia folheando revistas e descobrindo histórias.

Aprendi a ler com A Espada Selvagem de Conan. Sim, Conan, o Bárbaro. Meu pai queria que eu aprendesse a ler rápido e os quadrinhos ajudaram bastante. O problema é que Conan não era exatamente uma leitura infantil: tinha sangue, violência, mulheres seminuas, sexo e um sujeito musculoso resolvendo quase tudo com uma espada. Quando meu pai percebeu o conteúdo das revistas, resolveu mudar as compras.

Saía Conan, entravam a Turma da Mônica e a Marvel, principalmente o Hulk (as da RGE inicialmente).

Acho engraçado que a solução para tirar Conan da minha vida tenha sido me apresentar a um gigante verde que destruía tudo quando ficava com raiva. Mas funcionou. Virei fã do Hulk e continuo comprando suas revistas até hoje.

Meu pai conseguiu o que queria. Aprendi a ler e gostei tanto que comecei a pegar os livros dele também. Só que aí veio outro problema: eu não tinha muito cuidado com os livros. Ele ficava com ciúme, preocupado com o estado da coleção. Queria que eu lesse, mas que deixasse os livros dele inteiros.

Com o tempo, fui conhecendo outros personagens, comprando mais gibis e descobrindo aquele universo enorme da Marvel. Uma história continuava em outra revista, personagens apareciam em títulos diferentes e sempre faltava alguma edição para completar a coleção, era uma desgraça para quem queria ter tudo.

Por isso eu sonhasse com uma banca. Imagina ter acesso a todas aquelas revistas? Receber os lançamentos, organizar as edições e passar o dia cercado de quadrinhos. Provavelmente seria um péssimo comerciante, porque ia querer ficar com metade do estoque.

Cresci, as bancas foram desaparecendo e nunca realizei esse sonho. Mas os quadrinhos continuaram comigo. Hoje ainda compro Hulk, quadrinhos com histórias adultas (não necessariamente de sexo) e Spawn, que tem muito daquela violência e daquele horror que me fascinavam nas páginas de Conan.

No fim, meu gosto nem mudou tanto assim, meu pai queria que eu aprendesse a ler rápido. Conseguiu, só não sei se imaginava que, mais de trinta anos depois, eu ainda estaria gastando dinheiro com gibi 😎.

Esse post nasceu por causa da BMRTT e faz parte é o tema de Outubro/2026 da comunidade ENTREBLOGS: infância, para olhar o mundo com olhos de criança. A comunidade tem o o intuito de compartilhar nossas perspectivas sobre os mesmos assuntos. Veja mais em temas.

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1 comentário

Taís

Oi Wagner! Nossa, que nostalgia boa lembrar das bancas de jornais. Eu também achava fascinante aquele tanto de coisa que tinha, eu queria tudo, e também tinham os doces hahahha
Não consigo me lembrar da última vez que vi uma banca :(
https://nyrtais.blogspot.com/

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