A última página dos 41
Novembro chegou. É o mês em que faço 42 anos e, como acontece de vez em quando, comecei a pensar no que fiz da vida até aqui. Não sei se é coisa da idade, mas tenho olhado mais para o que passou, para as escolhas que fiz e para tudo aquilo que imaginei que já teria resolvido a essa altura.
Acho que passei boa parte da vida tentando entender as coisas. E, quando não entendia ou achava que alguma coisa estava errada, ia lá e tentava fazer diferente. Às vezes dava certo. Muitas vezes, não.
Criei projetos, escrevi textos que talvez ninguém tenha lido, comecei coisas que nunca terminei e me envolvi em problemas que nem eram meus. Fiz amigos, perdi alguns pelo caminho, mudei de ideia sobre muita coisa e continuei teimando em outras. Também perdi tempo, deixei oportunidades passarem e tomei decisões que hoje talvez não tomasse. Faz parte, embora nem sempre seja fácil aceitar.
Engraçado que, mesmo quando as coisas não saíram como eu queria, continuei inventando alguma coisa para fazer. Um projeto novo, um blog, uma ideia que parecia boa demais para deixar quieta. Talvez eu tenha recomeçado mais vezes do que gostaria de admitir. E nem sempre por escolha.
A internet tem muito a ver com isso. Cresci junto com uma internet que também mudou bastante. Fiz amigos por causa dela, descobri músicas, escrevi em blogs, aprendi coisas que provavelmente não teria aprendido de outra forma. Também vi muita coisa boa desaparecer e outras tantas se transformarem em algo que já não reconheço. Talvez por isso ainda insista tanto em fazer alguma coisa por aqui.
Sempre gostei de pensar que as coisas poderiam ser melhores. A internet, as relações, o jeito como a gente trata quem é diferente. Às vezes me pergunto se foi por isso que passei tanto tempo tentando tornar o mundo um pouco mais acessível, mesmo sem conseguir encontrar meu próprio lugar nele em alguns momentos.
O curioso é que, quando era mais novo, imaginava que aos 42 teria uma vida mais ou menos resolvida. Saberia o que queria, teria encontrado alguma estabilidade e, quem sabe, estaria um pouco mais tranquilo comigo mesmo. Não foi bem assim. Ainda tenho dúvidas, inseguranças e uma quantidade considerável de ideias que provavelmente nunca vou conseguir tirar do papel.
Acho que passei muito tempo esperando chegar a uma versão de mim que finalmente estivesse pronta. Aos 41, começo a desconfiar que essa pessoa talvez nunca exista. E, sinceramente, não sei se ainda quero passar tanto tempo esperando por ela.
Também fui entendendo que nem toda amizade dura para sempre. Algumas pessoas foram embora, outras eu mesmo deixei para trás. E tem aquelas que continuam por perto, mesmo quando a vida muda e a gente já não consegue se encontrar tanto. Guardo histórias que não trocaria por nada, músicas que me acompanharam em momentos difíceis e lembranças de coisas pequenas que, por algum motivo, continuam comigo.
Não sei muito bem o que esperar dos 42. É estranho admitir que, depois de tanto tempo, ainda tenho mais perguntas do que respostas. Mas talvez eu já não precise resolver tudo agora, nem transformar cada ideia em projeto ou cada escolha em alguma coisa que dê certo.
Por enquanto, ainda tem muita música pra ouvir, filme ruim pra defender, coisa pra escrever e ideia absurda pra tirar do papel. E, se eu puder desejar alguma coisa para esse novo ano, é que a vida não me faça perder a curiosidade, a capacidade de mudar de ideia e, principalmente, a vontade de sentir as coisas.
Apesar de tudo, ainda quero estar por aqui para descobrir o que vem depois.
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