Um ano tentando não parar
Faz quase um ano que estou desempregado. Não vou romantizar esse período. O impacto financeiro é evidente, mas o peso na saúde mental consegue ser ainda maior. Existe uma sensação constante de que a vida ficou em suspenso enquanto todo mundo continua andando. Ainda assim, tentei não transformar esse tempo em espera.
Foi nesse intervalo que nasceram alguns projetos que eu provavelmente nunca teria colocado de pé se estivesse preso à rotina de um emprego. Criei o Lombada, continuei desenvolvendo o Ecoleta, publiquei plugins para o Figma, reorganizei meu portfólio e fui tirando do papel várias ideias que estavam paradas havia anos. Nem todas deram resultado, algumas talvez nunca deem, mas permanecer construindo era uma forma de continuar acreditando que ainda existia caminho.
Recentemente participei de uma iniciativa da Secretaria de Turismo de Olinda, realizada na Casa do Turista. Eram três dias de workshop sobre editais culturais conduzidos pela Eliz, da Liga Criativa. Entrei sem grandes expectativas além da vontade de aprender, se aparecesse alguma oportunidade, eu estava disposto a mergulhar de cabeça.
O que encontrei foi um universo que eu conhecia muito pouco.
Foi difícil sair daqueles encontros sem pensar no quanto a cultura movimenta vidas de maneiras que passam despercebidas para quem olha de fora.
Curiosamente, enquanto eu aprendia sobre editais, percebi que muitas das coisas que venho construindo já caminhavam nessa direção. O Ecoleta nasceu com uma preocupação social. O Lombada também tenta aproximar pessoas de histórias. Até minhas iniciativas em acessibilidade carregam essa vontade de facilitar o acesso, organizar conhecimento e reduzir barreiras.
Talvez eu só não tivesse percebido que tudo isso conversava entre si.
Saí dos três dias com muito mais perguntas do que respostas, mas também com uma convicção que não existia antes. Quero aprender esse ecossistema. Quero entender como esses projetos nascem, como são escritos, financiados e executados. Mais do que isso, quero construir ferramentas que ajudem outras pessoas a fazerem o mesmo.
Espero que essa fase mais dura passe logo.
Durante muito tempo fui alguém que dependia de benefícios como o Alelo para atravessar o mês. Não existe vergonha nenhuma nisso, mas existe um desejo enorme de mudar de lugar. Quero chegar ao momento em que, em vez de apenas consumir oportunidades, eu consiga criar oportunidades para outras pessoas.
Talvez esse seja o começo de uma nova fase. Ainda não sei.
Por curiosidade, dias depois joguei tarot. A leitura terminou com uma frase que ficou ecoando desde então:
Avance, mas não deixe que o medo do que pode dar errado faça você desistir ou ficar paralisado. O maior desafio dessa sequência não é a falta de capacidade, e sim administrar a preocupação diante das pressões que surgirem.
Independentemente da origem desse conselho, ele conversa bastante com o lugar onde estou hoje. Acho que está na hora de me jogar de verdade no empreendedorismo.
Última atualização:
Comentários
Tem algo a dizer sobre este texto? Deixe um comentário. Ele aparecerá depois da moderação.
Nenhum comentário ainda. Você pode começar a conversa.
Deixar comentário