Margem Viva

Escritório doméstico com notebook aberto, celular em um tripé, caderno de anotações e caneca de café sobre uma mesa de madeira. A cadeira está vazia e a luz natural entra pela janela ao lado.

Visibilidade não é vaidade

Publicado por Wagner Beethoven

Antes de começar, um contexto: Espero que este seja um dos últimos textos tão atravessados pelo último ano. Ainda quero voltar a escrever sobre tecnologia, design, acessibilidade, quadrinhos, cinema e todas as outras coisas que fazem parte deste blog, mas este texto ainda precisava existir.


Este ano tem sido um dos mais difíceis da minha vida.

Faz tempo que eu aprendi a ser minha própria rede de apoio. Tenho pessoas incríveis por perto, continuo levando muitas dessas questões para a terapia, mas existe uma parte da caminhada que ninguém pode fazer por mim.

Talvez por isso eu tenha adiado por tanto tempo uma decisão que agora parece inevitável: começar a me expor mais profissionalmente.

É curioso porque nunca tive vontade de ser influencer. Sempre achei estranho como algumas profissões passaram a medir competência pelo tamanho da audiência. Nunca consegui aceitar a ideia de que um bom profissional seja necessariamente aquele que publica mais, acumula mais seguidores ou grava mais vídeos. Na saúde isso sempre me pareceu ainda mais absurdo.

Durante muito tempo eu também confundi exposição com exibicionismo. Achava que, para ser visto, seria preciso transformar a vida em conteúdo. Hoje começo a enxergar de outra forma, mostrar o meu trabalho não é a mesma coisa que transformar a minha rotina em espetáculo.

Mas o mercado nem sempre funciona da forma como eu gostaria.

Depois de quase um ano desempregado, percebi que esperar apenas pelo reconhecimento do currículo ou do portfólio deixou de ser suficiente. As pessoas precisam saber que você existe antes mesmo de conhecerem o seu trabalho.

Então vou tentar, mais uma vez. Criei um perfil profissional no Instagram. Vou reorganizar os perfis dos outros projetos para conseguir administrá-los sozinho e também quero abrir um canal no YouTube e montar uma rotina de produção de conteúdo.

Sem grandes produçõesm sem equipe, algo com que infelizmente já me acostumei. Sem investimento, equipamentos sofisticados e muito provavelmente usando o CapCut na versão gratuita e aprendendo um vídeo de cada vez.

A ideia não é virar criador de conteúdo em tempo integral, é compartilhar o que aprendi em mais de quinze anos trabalhando com design, acessibilidade, produtos digitais e tecnologia.

Talvez ainda exista um professor escondido em mim desde a época em que eu dava aula.

Também quero separar melhor o Wagner profissional do Wagner pessoal. Não porque uma parte seja mais importante que a outra, mas porque cada uma merece o seu espaço e eu quero ter meu tempo de qualidade e longe dessa versão profissional.

acredito que, muitas vezes, quem está de fora valoriza mais o nosso trabalho do que quem está perto, talvez isso mude pela persistencia, mas talvez não.

No fim, o maior desafio talvez nem seja aprender a editar vídeos. Seja perder a vergonha de falar para uma câmera e aceitar que mostrar o meu trabalho também faz parte do trabalho.

Se der certo, ótimo. Se não der, pelo menos vou ter parado de esperar que as oportunidades descubram sozinhas o caminho até mim.

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